Resultados
Resultados
Participação Comunitária
Síntese Quantitativa (nossos números)
Atividades por comunidade
20
Total de Atividades
Participação por comunidade
270
Total de participações
Atividades de Intercâmbio
26
Total de Participações
Participação por gênero
A análise geral da participação por gênero nas oficinas e atividades do projeto evidencia alta representatividade feminina em todas as comunidades, com variações conforme o contexto social e cultural de cada território.
Nas comunidades Rio do Cedro e Kuaray Haxa, observou-se uma maior paridade entre homens e mulheres, o que demonstra equilíbrio nas ações formativas e interesse coletivo nas temáticas trabalhadas. No Cedro, a presença feminina se destacou levemente nas atividades voltadas à organização comunitária e ao associativismo, o mesmo observa-se em relação a comunidade M'bya Guarani da Kuaray Haxa.
Na comunidade agroflorestal José Lutzenberger, a presença feminina foi consistentemente superior, reforçando o papel central das mulheres na condução e manutenção das dinâmicas coletivas de trabalho.
Comunidade José Lutzenberger
69%
Participação feminina
Comunidade Kuaray Haxa
55%
Participação feminina
Comunidade Rio do Cedro
53%
Participação feminina
O que aprendemos juntos?
Aprendizados comunitários
As comunidades tradicionais da APA de Guaraqueçaba acumulam saberes históricos, culturais e territoriais que são fundamentais para a conservação ambiental e para a gestão participativa do território. As atividades formativas desenvolvidas no âmbito do projeto fortaleceram esses saberes, organizando-os em três dimensões complementares de aprendizagem: Cognitiva, Procedimental e Atitudinal. Essas dimensões refletem não apenas o acesso à informação, mas também a capacidade prática de atuação e o fortalecimento de valores coletivos indispensáveis à defesa de direitos, ao uso sustentável do território e à manutenção da sociobiodiversidade.
Aprendizados Cognitivos
O que as comunidades passam a conhecer e compreender
Os aprendizados cognitivos dizem respeito à ampliação do conhecimento técnico, jurídico e político das comunidades sobre o território onde vivem e sobre os instrumentos que regulam sua gestão. A partir dos Módulos I, II e V, as comunidades aprofundaram a compreensão sobre:
- O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e a diferenciação entre categorias de Unidades de Conservação, como APA e Reserva Biológica, compreendendo regras, limites e finalidades distintas.
- Os direitos das comunidades tradicionais, incluindo direitos coletivos, territoriais, culturais e socioambientais.
- A relação entre identidade tradicional, território e instrumentos de gestão, como plano de manejo, zoneamento ambiental e conselhos gestores.
- Noções fundamentais sobre gestão participativa, funcionamento de conselhos, espaços de decisão e mecanismos de controle social.
- Conhecimento sobre legislação fundiária e agrária, incluindo a atuação e os instrumentos do INCRA, ICMBio e FUNAI.
- Compreensão das diferenças entre posse, ocupação tradicional e propriedade, elemento central para processos de regularização fundiária.
Benefícios para a sociobiodiversidade
- Redução de conflitos por desinformação.
- Maior segurança jurídica e territorial.
- Capacidade crítica para dialogar com o poder público.
- Reconhecimento do papel das comunidades como guardiãs da biodiversidade e da cultura local.
Aprendizados Procedimentais
O que as comunidades aprendem a fazer na prática
Os aprendizados procedimentais estão relacionados ao desenvolvimento de habilidades práticas para análise do território, organização social e incidência política, trabalhadas principalmente nos Módulos II, III, IV e V. Entre os principais avanços destacam-se:
- Leitura do território à luz do SNUC, compreendendo restrições, permissões e oportunidades de uso sustentável.
- Mapeamento de conflitos socioambientais, identificando atores, causas e possíveis estratégias de mediação.
- Identificação e utilização de canais formais de diálogo institucional, como conselhos, audiências públicas, ofícios e processos administrativos.
- Prática de construção de cronologias históricas e linhas do tempo comunitárias, fundamentais para processos de regularização fundiária, por funcionarem como memória documental e prova social da ocupação tradicional.
- Análise de restrições de uso ambiental e construção coletiva de alternativas produtivas compatíveis, especialmente relacionadas ao extrativismo sustentável e às práticas tradicionais de uso do território.
Benefícios para a sociobiodiversidade
- Planejamento territorial mais consciente e sustentável.
- Valorização das práticas tradicionais de manejo.
- Fortalecimento da autonomia comunitária.
- Maior capacidade de incidência em políticas públicas ambientais e fundiárias.
Aprendizados Atitudinais
O que as comunidades fortalecem em termos de valores, posturas e relações
Os aprendizados atitudinais representam transformações profundas no modo como as comunidades se percebem e se posicionam coletivamente. Esses aspectos foram transversalmente trabalhados em todos os módulos, com destaque para os Módulos III e VI. Os principais avanços incluem:
- Fortalecimento da confiança coletiva e do senso de pertencimento ao território e à identidade tradicional.
- Ampliação da disposição ao diálogo institucional, reduzindo o medo e a desconfiança histórica em relação ao Estado.
- Reforço da autoestima coletiva e da consciência política sobre o papel das comunidades na gestão ambiental.
- Compreensão de que a organização interna — por meio de associações, cooperativas, regimentos, conselhos e grupos de trabalho — é essencial para o êxito em processos de regularização fundiária, acesso a políticas públicas e fortalecimento econômico.
- Valorização do associativismo e do cooperativismo, reconhecidos como estratégias para geração de renda, fortalecimento produtivo e proteção do território, conforme demanda expressa pelas próprias comunidades.
Benefícios para a sociobiodiversidade
- Comunidades mais organizadas e resilientes.
- Redução de conflitos internos e externos.
- Fortalecimento do protagonismo comunitário.
- Consolidação de uma governança territorial baseada na cooperação, no diálogo e na sustentabilidade.
O intercâmbio comunitário configurou-se como uma ação estratégica de fortalecimento da participação social, da organização comunitária e da conservação da sociobiodiversidade no território da APA de Guaraqueçaba. A atividade reuniu representantes comunitários das comunidades Kuaray Haxa e Rio do Cedro, além de equipe técnica do projeto. O intercâmbio partiu do reconhecimento de que comunidades tradicionais, embora distintas em sua identidade étnica e cultural, compartilham desafios comuns relacionados à gestão territorial, acesso a políticas públicas, organização social e sustentabilidade econômica, especialmente em territórios ambientalmente protegidos.
Objetivos do Intercâmbio Comunitário
Promover a troca de experiências entre comunidades tradicionais, fortalecendo processos de organização comunitária, associativismo e gestão coletiva, como instrumentos para a conservação da sociobiodiversidade e a permanência qualificada nos territórios tradicionais.
Metas
- Favorecer a troca intercultural entre a comunidade indígena M'byá Guarani e a comunidade caiçara do Rio do Cedro;
- Compartilhar experiências práticas sobre associativismo, cooperativismo e acesso a editais públicos;
- Estimular reflexões sobre organização comunitária, governança local e gestão de bens coletivos;
- Reforçar a importância do território tradicional como espaço de vida, identidade e reprodução sociocultural;
- Fortalecer vínculos de cooperação intercomunitária para ações futuras.
Resultados Qualitativos
- Ampliação do conhecimento sobre associativismo comunitário;
- Fortalecimento da autoestima comunitária e do reconhecimento das próprias capacidades organizativas;
- Consolidação de vínculos intercomunitários baseados no respeito intercultural;
- Sensibilização sobre a importância da gestão coletiva de bens e recursos;
- Estímulo à retomada do debate sobre a regularização da Associação de Moradores do Rio do Cedro.
Resultados Estratégicos
- Aproximação entre comunidades tradicionais como estratégia de resistência territorial;
- Reforço do associativismo como instrumento de acesso a políticas públicas;
- Valorização do conhecimento tradicional como base para o desenvolvimento sustentável.
Análise das Dimensões de Aprendizagem
Dimensão Cognitiva
Relacionada à aquisição de conhecimentos e informações.
Aprendizados identificados:
- Compreensão das diferenças entre associação e cooperativa;
- Conhecimento sobre obrigações legais, prestação de contas e riscos institucionais;
- Entendimento do papel político das lideranças na defesa territorial.
Exemplo prático no território:
A comunidade do Rio do Cedro passou a reconhecer a necessidade de verificar a situação jurídica de seu CNPJ antes de qualquer iniciativa econômica coletiva.
Dimensão Procedimental
Relacionada ao “saber fazer” e às práticas concretas.
Aprendizados identificados:
- Passos para criação ou reativação de associações;
- Importância da elaboração de atas, estatutos e definição de diretoria;
- Estratégias de captação de recursos via editais.
Exemplo prático no território:
Uso de recursos de editais para aquisição de equipamentos comunitários, como projetores e infraestrutura de comunicação, conforme experiência da Associação Kuaray Haxa.
Dimensão Atitudinal
Relacionada a valores, posturas e comportamentos.
Aprendizados identificados:
- Valorização da coletividade e da gestão compartilhada;
- Fortalecimento da confiança intercomunitária;
- Reconhecimento do território como espaço sagrado, político e produtivo.
Exemplo prático no território:
Mudança de percepção sobre bens comunitários, compreendidos como patrimônio coletivo e não de uso individual.
Benefícios para a Conservação da Sociobiodiversidade
O intercâmbio contribuiu diretamente para:
- Fortalecer a governança comunitária, essencial à conservação ambiental;
- Promover o uso sustentável dos recursos naturais;
- Valorizar práticas culturais que mantêm a integridade dos ecossistemas;
- Integrar conservação ambiental e justiça social.
Comunidades organizadas tendem a atuar como guardiãs do território, reduzindo pressões externas e conflitos socioambientais.
🌿 Quando as comunidades se encontram, compartilham saberes e caminham juntas, ficam mais fortes para cuidar do território, defender seus direitos e garantir o futuro das próximas gerações.
Impactos Positivos para a APA de Guaraqueçaba
A integração dos aprendizados cognitivos, procedimentais e atitudinais gera impactos positivos diretos para a conservação da sociobiodiversidade da APA de Guaraqueçaba, tais como:
- Melhoria da gestão participativa da Unidade de Conservação.
- Reconhecimento das comunidades tradicionais como parceiras estratégicas da conservação.
- Proteção simultânea da biodiversidade e dos modos de vida tradicionais.
Fortalecimento do Observatório como espaço de memória, monitoramento, articulação política e produção de conhecimento comunitário.
Como daremos continuidade?
- Mantendo processos formativos permanentes, com linguagem acessível e metodologias participativas.
- Registrando e atualizando continuamente as cronologias históricas e mapas comunitários.
- Estimulando a participação ativa nos conselhos e fóruns institucionais.
- Fortalecendo redes entre comunidades, associações e cooperativas.
- Utilizando o Observatório como ferramenta de visibilidade, denúncia qualificada e incidência política.

